Embalados por esta brisa morna os governantes dos dezessete países que fazem parte da Comunidade Econômica Européia, e de mais nove países das proximidades, finalmente conseguiram se entender e fecharam um acordo de austeridade que, em última instância, criou uma espécie de sobrevida interessante para este importante bloco econômico.
Neste acordo, depois de muita negociação, os governantes de 26 dos 27 países europeus concordaram em aprofundar a união fiscal, ajudar os países com maiores dificuldades e, tão logo seja possível, iniciar um processo de estímulo econômico que possa levar a região a um novo e necessário ciclo de crescimento.
Sem cair no exagero demasiado isto foi uma espécie de presente de natal da Europa para o mundo que, em última análise, significa dizer que, a não ser que o calendário maia esteja certo, o mundo dificilmente acabará neste 2012. Ufa!
Enquanto isto, aqui pelas terras tupiniquins, mais ou menos ao mesmo tempo, as autoridades econômicas, logo após oficializar que o País registrou crescimento zero em seu PIB no terceiro trimestre, praticamente deram por encerrada a temporada de caça ao perigo de retorno do malvado dragão inflacionário, iniciando processo de gradual desmontagem das medidas macroprudenciais que dificultaram o crédito e, por via de consequência, o consumo e o crescimento do mercado no fim de 2011.
“Antes tarde do que nunca”, analisaram os economistas, boa parte deles enfatizando que isto poderia ter ocorrido um pouquinho mais cedo. Neste ponto, inclusive, antes de comemorar um provável retorno do crescimento das vendas, sempre é bom lembrar que um dos maiores problemas do Brasil, agora, será captar, no Exterior, investimentos que possam balizar um possível aumento da disponibilidade do crédito. Isto porque, segundo o BIS, Banco de Compensações Internacionais, um dos principais efeitos da crise atual é justamente a seca na liquidez do crédito em razão do endurecimento dos mercados.
O nosso setor automotivo pátrio também fechou o ano de forma positiva, com novo recorde de produção e vendas e projeta para 2012 um novo crescimento de 2% na produção e 3% nas vendas, com novo recorde. E também inicia um novo ciclo de grandes investimentos, o terceiro da história do setor no País. Ou seja: a ideia é continuar olhando sempre para a frente sem medo.
Artigo publicado na edição 269 da Revista AutoData, janeiro de 2012.