O mundo quase acabou novamente em agosto. As bolsas despencaram, inclusive a de São Paulo, e todos se lembraram dos terríveis últimos três meses de 2008. Enquanto isto acontecia, a China se candidatava cada vez mais ao posto de nova potência econômica mundial. Estaria nascendo uma nova ordem mundial? Com Europa balançando, Estados Unidos rebaixado e Japão tentando não naufragar após tsunami, eu diria que ainda não. Está mais parecendo uma desordem que uma nova ordem. Enquanto os velhos atores se aposentam, os novos protagonistas, incluindo China, ainda não apresentaram seus roteiros com contundência.
No caso da China, com sua brutal escala de produção local, suas fábricas estão despejando produtos para vários países ao redor do mundo. E como o apetite de consumo destes países pode estar patinando, as projeções futuras encontram-se um tanto nervosas. É óbvio que não acontecerá crise por lá. Mas o ritmo de crescimento verificado nos últimos anos poderá não ser mais o mesmo nos próximos anos se estes mercados não reagirem rapidamente. E isto poderá ser um problema para países que, como o Brasil, tem a China como um importante comprador de suas commodities.
Continuando no Brasil, que também é visto como uma das mais promissoras novas economias, vamos tentando fazer nossa lição de casa. Também tivemos problemas com as bolsas, mas mais em razão da grande liquidez das nossas empresas que em função de crise. É aqui que os investidores fazem dinheiro rápido quando precisam.
Neste sentido, pouco antes do mergulho mundial das bolsas, o governo anunciou o plano econômico Brasil Maior, um pacote de bondades que objetiva ajudar alguns setores da indústria brasileira – automotivo incluído –, a ganhar poder de competitividade e garantir sobrevivência no futuro. E agora, mais recentemente, o governo voltou às manchetes anunciando corte de despesas de R$ 10 bilhões neste ano, em um primeiro grande passo rumo ao que os economistas sempre recomendaram de reduzir as despesas governamentais e abrir caminho para redução de juros e diminuição de tributos.
Pena que o Brasil Maior vai resolver o problema no futuro um pouco mais distante e a redução das despesas referese somente a 2012. No primeiro caso deveria pesar um pouco mais também a situação de curto prazo e, no segundo, estender o corte de despesas por pelo menos mais dois anos.
Para o setor automotivo em particular, o problema refere-se ao fato de estarmos perdendo investimentos de montadoras e autopeças para países como México, por exemplo. Precisamos repensar de imediato as políticas trabalhista e cambial.
A mão de obra brasileira hoje é cara e, frente às atuais negociações, caminha para ficar ainda mais. E no caso do câmbio parecemos o soldado português da velha piada: o mundo trabalha com fixo e só o Brasil fica no flutuante. Será que estamos certos? Mesmo assim, vamos trabalhando full em praticamente todos os segmentos. Estas sugestões referem-se ao fato de que, se tivermos os parâmetros adequados, cresceremos ainda mais. Inegavelmente o futuro passa por aqui e está à disposição de quem quiser arregaçar a manga e trabalhar para buscá-lo.
Artigo publicado na edição 265 da Revista AutoData, setembro de 2011.
0 comentários:
Postar um comentário