quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O boi, atolado na abóbora

Confesso que deixei o Congresso Perspectivas 2012 realizado em outubro, pela AutoData Editora, em São Paulo, com um certo gosto de boi com abóbora na boca. Ou até pior: com a estranha sensação de que o tal do boi pode estar meio que atolado bem no meio da abóbora no que se refere ao velho problema da competitividade do setor automotivo brasileiro.

Para quem não lembra, boi com abóbora é aquela expressão que foi utilizada por Paulo Butori, presidente do Sindipeças, na última edição do Congresso Perspectivas, para definir um ano sem graça e sem emoção que é, em síntese, o que ele espera para o setor automotivo no ano que vem, sem grandes novidades com relação a este 2011 que está terminando com, no máximo, possibilidade de crescimento moderado de 3% a 5%. Este tema da necessidade de maior competitividade da nossa indústria automotiva reinou no painel dos sistemistas do Congresso AutoData, que reuniu os maiores e mais importantes produtores de autopeças instalados no Brasil e mais o próprio Paulo Butori.

A conclusão a que se chegou é que tudo está crescendo – as vendas das montadoras, das empresas de autopeças e, também, a arrecadação de impostos –,  mas que a equação não fecha em um ponto central, que é o fato de que ainda não conseguimos operar de modo eficiente com relação aos países que concorrem conosco por um lugar ao sol, ou por mais espaço, no mundo automotivo e que, em razão disto, continuamos perdendo investimentos importantes para estas outras bases industriais.

Novamente as análises giraram em torno de temas que discutimos já há longos anos, tais como burocracia, câmbio, reformas trabalhista e tributária e infraestrutura.

Parece que nada andou e, o que é pior, a perspectiva é que nada andará no futuro próximo.

A responsabilidade por encaminhar decisões e soluções continua nas mãos do governo que, pelo menos por enquanto, nada faz a respeito e nem mostra que tem grande interesse pelo assunto.

E o que é mais preocupante: a algaravia existente dentro dos próprios elos da cadeia produtiva automotiva parece demonstar que não há muito consenso.

Perguntado a respeito no mesmo Congresso o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, disse que as reivindicações do setor a respeito já são conhecidas mas que, infelizmente, a própria cadeia de fornecedores ainda tem muito o que caminhar em termos de produtividade e que isto terá que ser resolvido pelas próprias empresas.

O pensamento é lógico, mas é, ao mesmo tempo, cruel.

Mudando um pouco de assunto: impressionante, no meu ponto de vista, o tônus da Fenatran, Feira Nacional dos Transportes, realizada no fim de outubro, em São Paulo. Evento de primeiro mundo que efetivamente coloca o Brasil em posição de destaque no universo dos produtores mundiais de veículos de transporte.

Artigo publicado na edição 267 da Revista AutoData, novembro de 2011.

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